Prefeitura de Goiânia integra iniciativa inédita para reconhecer feminicídio como causa de morte

Prefeitura de Goiânia integra iniciativa inédita para reconhecer feminicídio como causa de morte

Ação liderada pelo Ministério da Saúde busca junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) busca criação de CID para declarações de óbito das vítimas

A Prefeitura de Goiânia passou a integrar iniciativa do Ministério da Saúde (MS) que busca, junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), a criação de um código específico para feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID). O município é o primeiro do país a testar o marco conceitual e operacional proposto pelo MS.

“Nós escolhemos Goiânia por ser a única cidade do país com um comitê de vigilância e investigação de óbitos por causas externas em mulheres e porque o município já realiza um excelente trabalho na notificação de violências”, afirmou a médica epidemiologista e consultora do Ministério da Saúde, Fátima Marinho.

Segundo ela, a OMS se mostrou favorável à proposta apresentada pelo Brasil.

“Agora, precisamos comprovar que o código é globalmente aplicável por meio de uma matriz de decisão, que será testada aqui em Goiânia, com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde”, explicou.

Com a iniciativa, o feminicídio passará a ser reconhecido como causa de morte nas declarações de óbito das vítimas. Atualmente, o preenchimento do documento utiliza a categoria homicídio como condição que produziu a causa da morte. Para a servidora da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cheila Marina de Lima, a proposta representa um avanço significativo.

“A saúde é, muitas vezes, a porta de entrada das vítimas, mesmo sem denúncia policial. Com o feminicídio reconhecido pelo CID, será possível ampliar a vigilância da violência de gênero e fortalecer a articulação entre saúde, segurança pública e justiça, oferecendo respostas mais eficazes à sociedade”, destacou.

 

“Por isso, ao receber o convite do Ministério da Saúde, ficamos muito felizes em poder contribuir e iniciamos imediatamente o trabalho de análise dos casos e aplicação da matriz de decisão”, completou a servidora.

A proposta apresentada pelo Brasil à OMS já recebeu o apoio da Colômbia e do México, que deverão aplicar a matriz de decisão após a conclusão dos testes em Goiânia.

Método

O método para a classificação da causa da morte como feminicídio prevê a triagem de casos entre mortes violentas e mortes suspeitas, além da identificação de diversos marcadores relacionados ao vínculo entre vítima e autor, histórico de violências, contexto do crime e dinâmica do evento letal.

A cada marcador é atribuída uma pontuação, utilizada em uma matriz de decisão que classifica a morte como certeza de feminicídio, feminicídio muito provável, provável, pouco provável ou não feminicídio.

“Nesta primeira etapa, o comitê utilizará o método para classificar óbitos já ocorridos, testando a viabilidade da matriz de decisão”, explicou Fátima Marinho.

Para a secretária executiva da SMS, Milena Bemfica, a iniciativa vai além do aspecto técnico.

“Não se trata apenas de uma questão metodológica, mas de uma ação que impacta diretamente o enfrentamento ao feminicídio. Isso contribui para a produção de evidências científicas que subsidiam políticas públicas, o planejamento dos serviços e o fortalecimento das linhas de cuidado às mulheres em situação de violência”, concluiu.

Foto: SMS: Secretaria Municipal de Saúde (SMS) - Prefeitura de Goiânia

 

 

 

Andreazza Joseph
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