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Uma grave crise envolvendo a gestão do prefeito Kleber Marra veio à tona após o Ministério Público de Goiás (MPGO) ingressar com uma ação civil pública para garantir o pagamento de uma dívida superior a R$ 700 mil com cooperativas de catadores de recicláveis em Caldas Novas.
A medida, protocolada com pedido de urgência, busca o bloqueio de R$ 712.838,50 diretamente das contas do Fundo Municipal de Meio Ambiente. O objetivo é assegurar que trabalhadores em situação de vulnerabilidade recebam valores que deveriam ter sido pagos regularmente pelo município, conforme acordos firmados ainda em 2024.
Segundo o MPGO, a prefeitura deixou de cumprir os Termos de Fomento, firmados com a Associação Cocaldas e a Cooperativa Recicla Caldas Novas. Os contratos previam repasses mensais que, na prática, quase não aconteceram, resultando em uma dívida acumulada e atualizada pela Selic, o que evidencia um cenário de desorganização e descaso administrativo.
As consequências são alarmantes. Sem os recursos prometidos, a Cooperativa Recicla Caldas Novas entrou em colapso, reduzindo drasticamente seu número de trabalhadores e suspendendo as atividades em março. Famílias que dependiam diretamente dessa renda ficaram sem sustento, enquanto o impacto ambiental também se agravou: materiais recicláveis passaram a ser descartados no aterro sanitário, contrariando diretrizes nacionais.
O MPGO reforça que os valores devidos possuem caráter alimentar, ou seja, são essenciais para a sobrevivência dos trabalhadores. A judicialização só ocorreu após diversas tentativas ignoradas pelo município, incluindo recomendações formais não cumpridas.
Além do bloqueio imediato dos recursos, a ação pede que a prefeitura seja obrigada a quitar integralmente a dívida, retomar a política pública de coleta seletiva e ainda pagar indenização por danos morais coletivos.
O caso levanta fortes questionamentos sobre a condução da gestão pública em Caldas Novas, evidenciando os impactos diretos de decisões administrativas na vida de trabalhadores e no meio ambiente.
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