1. Governo apresenta rede que une sociedade civil e órgãos internacionais para proteger o debate climático
É a primeira vez em que países e órgãos da governança global se articulam para promover uma atuação conjunta em prol da integridade da informação no cenário internacional - Foto: Vitor Vasconcelos/Secom-PR
O Governo Federal apresentou, nesta quarta-feira, 26 de março, a Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima, formada por organizações da sociedade civil e da academia com o objetivo de promover e apoiar ações para proteger as informações e o debate públicos sobre mudanças climáticas no Brasil. Foram promovidos uma oficina no Instituto Serzedello Corrêa, e um coquetel para convidados no Palácio do Itamaraty.
A rede é parte do "Capítulo Brasileiro" da Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima, lançada internacionalmente com a ONU e a UNESCO, a partir de uma colaboração entre a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom PR), por meio da Secretaria de Políticas Digitais (SPDigi), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Também participaram do evento representantes da ONU, Unesco e entidades da sociedade civil.
A iniciativa foi lançada pelo Brasil durante a Cúpula do G20 no Rio de Janeiro, em novembro de 2024, para fomentar pesquisas sobre o impacto da desinformação na ação contra mudanças climáticas, apoiar estratégias adequadas de respostas e fortalecer a comunicação internacional do setor. É a primeira vez em que países e órgãos da governança global se articulam para promover uma atuação conjunta em prol da integridade da informação no cenário internacional.
Para o secretário de Políticas Digitais da Secom PR, João Brant, a iniciativa é fundamental para buscar medidas de combate à desinformação climática. A iniciativa prevê o amparo à pesquisa científica por meio de um fundo da Unesco, ações de comunicação estratégica, parcerias entre os países e o fortalecimento da agenda no âmbito da COP30, que acontece em novembro.
"A iniciativa nasce a partir da presidência do Brasil no G20, com uma parceria de alto nível com a ONU e a Unesco, tem um engajamento de mais países e ela propõe, no fundo, testar uma metodologia de trabalho de ação internacional a partir de um tema concreto. Esse evento marca a conexão entre o processo nacional e o processo internacional a partir de um princípio de valorização de quem está fazendo, realizando, seja pesquisa, seja comunicação estratégica, seja uma campanha sobre esse tema", disse Brant.
AÇÃO INTEGRADA — Charlotte Scaddan, conselheira sênior em Integridade da Informação da ONU, falou sobre a relevância de uma ação integrada no nível internacional contra a desinformação climática, em um momento em que ações de combate à mudança climática se tornam essenciais para garantir um diálogo e negociações adequadas no âmbito da COP30.
"A Rede de Parceiros é um esforço realmente inovador para unir a integridade da informação e as ações climáticas. E ela é fundamental agora, este é um momento-chave para a combater as mudanças do clima. Não vamos atingir nossos objetivos em comum, as metas climáticas globais diante de tanto esforço para solapar a ciência, as soluções climáticas. Dessa forma, trabalhando com os vários atores, com a sociedade, com os cientistas, com os governos, podemos entender melhor os riscos e questões que existem nos ambientes informacionais ao redor do mundo, para poder chegar a medidas concretas", explicou ela.
SOCIEDADE — Para Jake Dubbins, fundador da Conscious Advertising Network, uma ONG global sediada no Reino Unido que trabalha pela inclusão e direitos humanos no mercado publicitário, a participação de entidades da sociedade civil é essencial para que a agenda climática seja priorizada pelos países.
"Esses problemas afetam todos os grupos. Estamos aqui falando sobre democracia, mudança climática e as informações que moldam a visão das pessoas e como isso afeta os governos e a sociedade civil. Mas isso afeta a todos nós, são questões existenciais no momento. Para enfrentar isso, precisamos colaborar para entender a complexidade do problema, como identificar e como responder a eles", declarou.
Segundo o britânico, o fato de o debate acontecer num evento promovido pelo governo com importantes atores internacionais dá à questão da informação climática um peso maior.
"Antigamente, quando abordamos esse assunto em COPs, nos olhavam como se nada estivesse acontecendo. Agora, o fato de estar em uma conversa de alto nível entre o governo, a ONU e a Unesco, já me dá esperanças".
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