Inflação dos últimos 12 meses recua e fica abaixo de 4% pela primeira vez em quase dois anos

O IPCA, nos últimos doze meses, ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores. A inflação permaneceu abaixo do limite de tolerância da meta do governo e indicado pelo Banco Central

1. Inflação dos últimos 12 meses recua e fica abaixo de 4% pela primeira vez em quase dois anos

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) revelou que, nos últimos 12 meses, o indicador de inflação do país desacelerou e ficou em 3,81% — abaixo dos 4% observados desde maio de 2024. Os números representam progresso em relação ao resultado do primeiro mês do ano, quando o acumulado dos 12 meses imediatamente anteriores apontaram a marca de 4,44%. O recorte abrangendo os últimos 12 meses é considerado indicador importante na análise da tendência da inflação por minimizar variações características de um determinado mês.

O IPCA, na comparação mensal, passou de 0,33% em janeiro para 0,7% em fevereiro. O percentual é menor em comparação com o registrado em fevereiro do ano passado, quando a taxa atingiu 1,31%. Um dos principais destaques do mês foi o grupo de Educação, cujo impacto está relacionado aos reajustes anuais das mensalidades de escolas e de cursos. A variação foi de 5,21% e é uma das características do mês de fevereiro, período de retorno às salas de aula e início do ano letivo. O grupo Educação foi acompanhado ainda pela alta no grupo Transportes, que, juntos, representaram cerca de 66% do resultado no segundo mês de 2026.

Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante do cenário, a inflação no mês voltou a se posicionar dentro do intervalo de tolerância do Banco Central (BC), que considera como meta 3% e aceita variação até o teto de 4,5%.

Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, destaca que mesmo que tenha sido mais alto em comparação com meses anteriores, o resultado é o menor para um mês de fevereiro desde 2020 (0,25%). “Em fevereiro do ano passado, no IPCA de 1,31% houve uma pressão do grupo habitação, em especial na energia elétrica, em função do fim do Bônus de Itaipu, o que não ocorreu no ano de 2026”, explicou Gonçalves. “Ainda na comparação com o ano anterior, Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,70% de fevereiro de 2025”, acrescentou.

EDUCAÇÃO – Restringindo apenas ao grupo da Educação, cerca de 44% do índice do mês de fevereiro é atrelado ao segmento de ensino. A maior influência tem origem nos cursos regulares (6,20%), por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. As maiores variações foram nos subitens ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%).

TRANSPORTES — Isolando o grupo Transportes, houve aumento de 11,40% na passagem aérea. Também registraram altas o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%). Nos combustíveis, o índice ficou em -0,47%, com quedas na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%), e altas no etanol (0,55%) e no óleo diesel (0,23%).

ALIMENTAÇÃO — Se delimitado, o grupo Alimentação e bebidas demonstrou uma leve variação na passagem de janeiro (0,23%) para fevereiro (0,26%). Os destaques nas quedas de preço são as frutas (-2,78%), o óleo de soja (-2,62%), o arroz (-2,36%) e o café moído (-1,20%). O segmento da alimentação fora do domicílio (0,34%) desacelerou em relação ao mês anterior (0,55%). A refeição saiu de 0,66% em janeiro, para 0,49% em fevereiro, enquanto o lanche passou de 0,27% para 0,15% no mesmo período.

CESTA BÁSICA — Em sinergia com os resultados do IPCA, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada na última segunda-feira, 9 de março, pela Conab e pelo Dieese, apontou queda no preço da cesta básica em fevereiro em 13 das 27 capitais brasileiras. Entre os alimentos analisados, o óleo de soja continua registrando queda de destaque e açúcar, café e leite também apresentaram redução nos preços nas capitais.

SOBRE A PESQUISA — O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o INPC, as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. Acesse os dados no Sidra. O próximo resultado do IPCA, referente a março, será divulgado em 10 de abril pelo IBGE.